sábado, 14 de maio de 2011

Como surgiu o conceito de Segurança no trabalho

 O mundo de hoje, encontra-se num processo de plena busca pela produção máxima
e custo máximo. Tal objetivo deve-se ao fato da procura do desenvolvimento por parte
dos subdesenvolvidos e, pela busca do controle econômico mundial por parte dos países
desenvolvidos. Evidentemente, que esse interesse geral está relacionado com o bem estar
do ser humano, pois o Estado tem como meta principal, a sociedade.
Para alcançar tais objetivos, os países terão que dispor de um fator imprescindível,
a tecnologia. Esse fator traz positivos benefícios econômicos, desde que haja um
investimento no binômio Homem – Máquina. Porém, faz-se necessário considerarmos que
tal fator poderá contribuir para um resultado contrário ao esperado pelo Estado, pois haverá
uma influência direta no meio de trabalho do homem.
Sendo assim, torna-se necessário algo que venha a proteger o trabalho humano,
surge então, o conceito de segurança.

  Em 1700, foi publicado, na Itália, um livro, cujo autor era um médico chamado
Bernardino Ramazzini, que teve repercussão em todo o mundo, devido à sua importância.
Nesta obra, Ramazzini descreve cinquenta profissões distintas e as doenças a elas
relacionadas. É introduzido um novo conceito por Ramazzini: “Qual é a sua ocupação?”.
Hoje, poderíamos interpretar esta pergunta da seguinte forma: “Digas qual o seu trabalho,
que direi os riscos que estás sujeito”.
Por essa importante obra, Bernardino Ramazzini ficou conhecido como o “Pai da
medicina do Trabalho”.
Na época da publicação deste livro, as atividades profissionais ainda eram
artesanais, sendo realizadas por pequenos números de trabalhadores e, consequentemente,
os casos de doenças profissionais eram poucos, ou seja, pouco interesse surgiu com relação
aos problemas citados na obra de Ramazzini.

COMO SURGIU TAL CONCEITO?
O trabalho existe desde o aparecimento do primeiro homem, porém, o conceito de
segurança surgiu muito tempo depois.
Em 1956, George Bauer publicou um livro, onde mostrou que o trabalho pode ser
um causador de doenças, e cita a extração de minerais argentíferos e auríferos, e a fundição
da prata e do ouro.
Ainda nesta obra, Bauer fala sobre os acidente do trabalho e as doenças mais
comuns entre os mineiros, que, pela descrição dos sintomas e da rápida evolução da
doença, tratava-se de casos de silicose. Chamada, na época, por “asma dos mineiros”.
Onze anos depois, surge a primeira monografia sobre as relações entre trabalho e
doença, de auditoria de Aureolus Theophrastus, que faz várias observações. Tinha o intuito
de mostrar o relacionamento entre as substâncias manuseadas no trabalho, com doenças,
destacando os principais sintomas da doença profissional, na intoxicação pelo mercúrio.
Esses trabalhos, não surtiram efeito algum com relação à preocupação quanto à saúde do
trabalhador

No século XVIII, surge então, quase um século mais tarde, na Inglaterra, a
Revolução Industrial, um movimento que iria mudar toda a concepção em relação aos
trabalhos realizados, e aos acidentes e doenças profissionais que deles advinham.



  No auge dessas condições fora da qualidade para se trabalhar surge um empresário Robert Dernham com o pensamento muito evoluído para sua época, ele que era proprietário de uma fabrica têxtil teve a preocupação com seus operários, que na época não tinham nenhuma assistência médica, daí consultou o seu médico o Drº Robert Baker que encontrasse maneiras de resolver essa situação. O Drº Robert Baker que poderíamos hoje em dia considerarmos um “médico do trabalho”, propôs solucionar essa questão para isso pediu que o deixa-se visitar a fabrica e vistoriar todos locais de trabalho. Dessa maneira o empresário se sentia mais “protegido” deixando essa responsabilidade para o médico, assim surgiu no ano de 1830 o primeiro serviço de medicina do trabalho, rapidamente expandiu-se por outros países.

No ano de 1919 surge a organização internacional do trabalho (OIT) que existe até hoje com o propósito de se preocupar com a saúde dos trabalhadores, objetivando uniformizar as questões trabalhistas, a superação das condições subumanas do trabalho e o desenvolvimento econômico, adota seis convenções destinadas à proteção da saúde e à integridade física dos trabalhadores (limitação da jornada de trabalho, proteção à maternidade, trabalho noturno para mulheres, idade mínima para admissão de crianças e o trabalho noturno para menores).  com essa organização ocorreram grandes avanços como em 1953 através da recomendação 97 sobre a “proteção da saúde dos trabalhadores” a OIT pediu a seus membros que formassem médicos do trabalho qualificados e com o estudo da organização de “Serviços de medicina do trabalho”, o objetivo era ter médicos especializados no ambiente de trabalho. A Conferência Internacional do Trabalho fizeram uma reunião e modificou a denominação “Serviço Médico do trabalho” para “ Serviço de Medicina do Trabalho” tornando esse serviço mais abrangente as medicina. E no ano de 1959 os Países Industrializados com toda experiência adquirida transformou-se na Recomendação 112, através dessa recomendação foi assegurada a proteção dos trabalhadores contra a saúde física e mental, do mesmo modo melhorava o local de trabalho.

Em 1948, com foi criada a OMS - Organização Mundial da Saúde, estabelece-se o conceito de que a “saúde é o completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de afecções ou enfermidades” e que “o gozo do grau máximo de saúde que se pode alcançar é um dos direitos fundamentais de todo ser humano..”


Nos Estados Unidos da América, onde a industrialização desenvolveu-se mais
tarde, surge no estado de Massachusets, o primeiro ato governamental visando a prevenção
de acidentes na indústria. Trata-se da lei emitida em onze de maio de mil oitocentos e
setenta e sete, a qual exigia a utilização de protetores sobre correias de transmissão,
guardas sobre eixos e engrenagens expostos e que proibia a limpeza de máquinas em
movimento; obrigava também, um número suficiente de saídas de emergência, para que,
em caso de algum sinistro, ambientes de trabalho fossem evacuados rapidamente.
Obviamente, essas medidas não solucionaram, apenas amenizaram alguns dos problemas a
que os trabalhadores eram submetidos. Nos anos de 1967 e 1968, o norte americano Frank Bird analisou 297 companhias
nos Estados Unidos da América, sendo envolvidas nessa análise 170.000 pessoas de 21
grupos diferentes de trabalho. Neste período, houveram 1.753.498 acidentes comunicados.
A partir desses dados foi criada a pirâmide de Frank Bird, onde chegou-se a conclusão que,
para que aconteça um acidente que incapacite o trabalhador, anteriormente acontecerão
600 incidentes sem danos pessoais e/ou materiais.

Na América Latina, a preocupação com acidentes de trabalho surgiu junto com o
desenvolvimento da industrialização, que iniciou-se apenas no começo do século XX.


No Brasil, a primeira lei contra acidentes surgiu em 1919, e impunha regulamentos
prevencionistas ao setor ferroviário, já que, nessa época, empreendimentos industriais de
vulto eram praticamente inexistentes. Em 1966 - Foi criada a Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e Medicina do Trabalho - FUNDACENTRO, por meio da Lei nº 5.161, de 21 de outubro, para realizar estudos e pesquisas pertinentes aos problemas de segurança, higiene e medicina do trabalho.

No ano de 1935, foi fundado em New York (E.UA.), o "Conselho Inter-Americano
de Seguridad", que dedica suas atividades à prevenção de acidentes na América Latina.



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